Continuação do livro: "O Retorno à luz"



À medida que tudo se transforma e evolui, Augusto cresceu, passando de um garoto franzino e ruivo para um jovem cuja alegria era contagiante. No entanto, um dia sombrio chegou quando sua mãe, que não estava bem de saúde, deixou este plano terreno para seguir para outras moradas.

A perda deixou Augusto inconformado, pois sua mãe era sua amiga e confidente em todos os momentos. A ausência dela gerou um vazio, levantando questionamentos sobre como lidar com suas descobertas e conselhos. A vida ficou sem cor, sem brilho. A tristeza tornou-se tão avassaladora que ele mal conseguia dormir, sendo assombrado por sonhos nos quais via sua mãe perambulando pelas ruas, como se estivesse perdida e sem rumo.

Esses sonhos perturbadores agravavam sua tristeza, tornando seus dias insuportáveis. Ao compartilhar essas experiências com um amigo, este o aconselhou a buscar conforto na oração em igrejas. Augusto seguiu o conselho, visitando diversas igrejas, mas percebia que nada mudava; tudo permanecia cinza e sem cor.

Um dia, em desespero, ele se ajoelhou em seu quarto, chorando, e pediu com todo o seu coração pela ajuda do anjo da luz. Sua prece foi tão sincera e amorosa, estabelecendo uma conexão profunda com o Criador. Do lado astral, o socorro veio em seu favor.

Os anjos de luz partiram em busca da mãe de Augusto, que permanecia perdida em pensamentos confusos. Mesmo próximo a ela, ela não os via, imersa em sua perturbação mental. Com raios dourados, eles a envolveram, libertando-a daquele estado perturbador.

Levaram-na para um hospital no plano astral, envolvendo-a carinhosamente com amor e cuidados. Imersa nesse influxo de sentimentos, ela ganhava força e clareza progressivamente.

Com atenção dedicada, os guias explicavam gentilmente o que havia acontecido, com o máximo de cautela para evitar o ressurgimento das sensações anteriores. Em meio à dor de ter deixado seu amado filho e marido, ela chorava abundantemente, beirando o desespero. Os anjos de luz aplicaram fluidos relaxantes até acalmá-la.

Explicaram-lhe que ao se sentir bem, seu estado emocional refletiria positivamente no filho, assegurando que, quando estivesse suficientemente fortalecida, poderia encontrar-se com ele nos sonhos.

Com o passar do tempo, a mãe de Augusto fortalecia-se e tornava-se mais consciente, vislumbrando o momento em que poderia reencontrar seu filho. Este pensamento a impulsionava com confiança, e todos ao seu redor reconheciam sua determinação para se restabelecer e cumprir esse propósito.

Enquanto isso, Augusto, não mais tendo sonhos com a mãe e sentindo menos dor no coração, conseguia equilibrar suas emoções. Embora o tempo passasse, a tristeza ainda era uma presença constante em sua vida diária, embora não tão intensa quanto antes.

Certo dia, após seu primeiro trabalho como entregador de jornais, Augusto chegou cansado, tomou um banho, jantou e não conseguiu assistir à TV. Um impulso interior o aconselhava a relaxar e dormir. Após uma breve conversa com seu pai, que também vivia melancólico, ele foi para a cama. Em seu quarto, onde nunca permitiu a presença de TV ou aparelhos eletrônicos, seguindo o ensinamento de sua mãe, que afirmava que tais dispositivos perturbavam o sono, Augusto aprendeu que fazer uma prece antes de dormir favorecia um sono tranquilo. Após a prece, dormiu.

Em seu sonho, sua mãe apareceu, radiante e luminosa. Ela o abraçou com um amor tão profundo que o deixou emocionado. Guiou-o para um lugar deslumbrante, repleto de árvores viçosas, grama macia como veludo, flores perfeitas em cores e perfumes, e água límpida fluindo por um pequeno rio. Sentaram-se em um gramado acolhedor, e com sua voz meiga e doce, como sempre teve, ela disse: "Meu filho querido, embora tenhamos nos separado em nossa visão, estou aqui, neste plano, pois ainda tenho objetivos a realizar. Você está no seu plano, com muitas coisas a realizar. Quando veio para a Terra, tinha seus propósitos, assim como eu. Após cumpri-los, estaremos juntos novamente."

A mãe continuou: "O amor é uma ligação que transcende a eternidade, não se rompe; estaremos unidos em pensamento e vibração." Em um gesto afetuoso, ela se despediu com um abraço amoroso, que fez Augusto acordar ainda sentindo sua presença. A alegria e a confiança preencheram seu coração, pois agora ele tinha a certeza de que sua mãe estava bem e feliz.

Ao correr para contar ao pai sobre esse sonho revelador, surpreendentemente, ele descobre que seu pai também teve um sonho semelhante. Juntos, cheios de felicidade e confiança, reconhecem que para aqueles que cultivam bondade, existe um lugar perfeito, e é lá que a mãe de Augusto reside.

Determinados e cheios de esperança, decidem dedicar-se ao máximo neste plano para que um dia possam se reunir com ela e viver em constante alegria. Mal sabem que, ao despertarem daquele sonho, a vida deles, de alguma forma, começará a se alinhar para tornar essa esperança uma realidade.

E.B.

 


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